Coisa de Mulher – Relato #5

Ilustração de Mariana Destro

Ilustração de Mariana Destro

Tive meu primeiro contato com a pornografia aos 13/14 anos. Assistia à vídeos onde o sexo era superficial, e só os homens pareciam sentir prazer. As mulheres, com corpos superestimados: bumbum durinho, vagina lisa e rosada, peitos com aréolas perfeitas e mamilos perfeitamente desenhados. Ao mesmo tempo em que assistia, sentia vergonha de mim. Meu corpo não era daquele jeito. E nem é. Imaginava que os homens com os quais eu me relacionasse iam zombar de mim, iam me rejeitar por não ser o que eles tinham em mente.

Pois bem, junto a isso, também vieram os primeiros estímulos, o misto de prazer e dor que é aonde eu quero chegar. Minha relação com meu corpo era um verdadeiro tabu. Tinha medo de conhecê-lo, de não gostar do que apalpasse, de sentir nojo. Lia matérias sobre masturbação feminina e achava a maior loucura fazer algo daquele tipo. Não tinha em mente que, mais pra frente, seria eu a mais nova “louca”. Foi no começo do ano, estava descobrindo o feminismo. Li sobre sexualidade feminina e o tanto de repressão que sofremos por simplesmente buscarmos prazer. Prazer esse que só é “aceitável” se um homem te proporcionar.

Resolvi experimentar. Comecei tímida, com toques desajeitados e que até machucaram minha vagina. Tive pressa pra atingir o orgasmo, mesmo sem saber ainda qual era a sensação. Até que um toque ali, outro aqui, aconteceu. E foi a melhor coisa que eu já senti na vida. Explicar orgasmo é bom, mas não tão maravilhoso quanto sentir.

Junto à masturbação veio o amor próprio, a autoestima, a felicidade. A vida fica mais leve quando você sabe que à noite, depois de um dia estressante de trabalho, você pode: tomar um banho, abrir uma garrafa de vinho, por uma música e se tocar até você dizer “Ok! Estou satisfeita.”.

Mas se as manas não quiserem beber, tudo bem. O bom de se masturbar é que você faz do jeito que quer, na hora que quer e onde quiser. Não tem ninguém dizendo onde colocar seu dedo. Não tem ninguém ditando regra de como você deve reagir ao orgasmo. Ele é teu.

Masturbação é sobre autoconhecimento, saber até onde vão os limites do seu corpo. Não é motivo pra se envergonhar, gozar nunca é demais. Não é coisa de mulher “mal comida”, muito menos de mulher “vadia”. É coisa de Mulher.

Escolha se amar. <3

Texto de autora anônima, 19 anos
Para conhecer mais trabalhos da ilustradora Mariana Destro, clique aqui.

Um comentário sobre “Coisa de Mulher – Relato #5

  1. Tutti disse:

    Desde uns 10 anos eu colocava meu dedo em minha vagina e ficava mechendo e sentindo o quanto era bom e estranho, com 13 anos veio o sexo, primeiramente forçado e depois compulsivo.
    Não conseguia sentir prazer comigo mesma até o começo do ano quando eu consegui gozar, eu sabia exatamente como e onde eu precisaria me tocar pra isso acontecer, mais o fato do sexo pra mim ser visto como overdose de atenção do outro ( pelo menos na minha cabeça) eu não conseguia sentir orgasmo comigo mesma
    Hoje me sinto mais livre e mais feliz comigo mesma, venho me libertando a cada dia de cada trauma.
    E gozar comigo mesma tem ajudado muito nisso

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *