Flocos de milho, masturbação e abuso infantil: o legado do Dr. Kellogg

Ilustração de Angelica Alzona

Ilustração de Angelica Alzona

John Harvey Kellogg foi um dos médicos mais famosos do final do século XIX e do começo do século XX. Ele introduziu o conceito de alimentação natural, exercícios físicos e outras inovações saudáveis. Kellogg  passou décadas dirigindo o famoso Sanatório Battle Creek para a recém-fundada Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Ele também foi o cara que inventou o cereal de flocos de milho, junto ao irmão Will. O cereal foi criado para manter os intestinos e os órgãos sexuais dos hóspedes do sanatório livres de congestão. Eventualmente, Will decidiu adicionar açúcar à receita e divulgá-la no mercado de massa.  John não o apoiou, e é por isso que é o nome de Will que você lê nas caixas de cereal hoje.

Sem dúvidas Kellogg fez o bem para muitos. Mas ele não era um bom médico, e não era uma boa pessoa. Isso era mais aparente do que nunca na sua obsessão com masturbação.
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A arte de unir pompoarismo e siririca

stephanie


Desde que eu iniciei minha vida sexual há seis anos, ouço falar de
pompoarismo. Durante muito tempo, achei que era aquela prática que as mulheres fazem de cortar frutas com o músculo da vagina. Pena que não estudei mais sobre o assunto, teriam me economizado muitos orgasmos perdidos…

Há um tempo atrás, trocando ideia com a ex de um amigo, descobri uma dica genial para fazer inclusive durante a masturbação: contrair a musculatura pélvica e só relaxar quando for gozar. Sabe quando a gente quer muito fazer xixi e contrai tudo para não escapar? Isso aí é musculatura pélvica, e pasmem, descobri anos depois que também pode ser pompoarismo. O importante é contrair esses músculos responsáveis por segurar o xixi (e o cocô, diga-se de passagem), sem contrair a barriga e o bumbum em si, apertar as pernas ou segurar a respiração. Parece doideira né?
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Menstruação é uma questão de saúde pública

judychicagoSabe aquele momento chato em que sua menstruação desce e você não trouxe o absorvente ou o coletor menstrual na bolsa? Imagine passar por isso toda vez que  você menstruasse, sem poder parar na farmácia para comprar um pacote salvador, porque a) absorventes não existem onde você mora, b) talvez até mesmo existam, mas você não tem dinheiro para comprá-los. Como isso impactaria a sua vida? Continuar lendo

Como um vidrinho esmalte pode tirar sua siririca da rotina

siriesmalte

Depois de um tempo de siririca (eu mesma comecei aos 10 e hoje tenho 24), a gente consegue perceber nossas preferências, né? Onde encostar, como encostar, como mexer, com o que mexer… Os gostos às vezes mudam com o tempo, mas no geral a gente até cai numa rotina de prazer. É inclusive isso que me estimula a testar umas inovações pra ajudar aumentar meu prazer de vez em quando. “Siriricar” também é atualizar meu repertório. Continuar lendo

Homens têm inveja do útero?

pregnancy

Giulio Cesare Casseri

Sigmund Freud não gostava muito das mulheres. Elas eram invejosas e tinham pouco “senso de justiça”. O psiquiatra austríaco acreditava que a emancipação feminina era uma tentativa cruel de atirar fêmeas no mundo competitivo masculino, e insistia para que elas permanecessem na tranquilidade da esfera doméstica. “Freud não estava preocupado em mudar a sociedade, mas em ajudar homens e mulheres a se ajustarem a ela”, afirma a escritora feminista Betty Friedan em A mística feminina (1963). 

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Coisa de Mulher – Relato #5

Ilustração de Mariana Destro

Ilustração de Mariana Destro

Tive meu primeiro contato com a pornografia aos 13/14 anos. Assistia à vídeos onde o sexo era superficial, e só os homens pareciam sentir prazer. As mulheres, com corpos superestimados: bumbum durinho, vagina lisa e rosada, peitos com aréolas perfeitas e mamilos perfeitamente desenhados. Ao mesmo tempo em que assistia, sentia vergonha de mim. Meu corpo não era daquele jeito. E nem é. Imaginava que os homens com os quais eu me relacionasse iam zombar de mim, iam me rejeitar por não ser o que eles tinham em mente.
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Nem santas, nem putas: apenas humanas com capacidade de sentir prazer

Quem nunca ouviu algo como “tira a mão daí, menina” ao simplesmente dar uma coçadinha na xoxota que atire a primeira pedra. A vagina, sempre tratada por eufemismos fofos e delicados ou por palavras grosseiras que remetem à esculhambação e mau cheiro, é historicamente demonizada. Por isso, quem nasceu com ela no meio das pernas consequentemente tem o desenvolvimento psicológico, emocional e, ás vezes, até físico afetado por esses conceitos deturpados, que ora infantilizam e romantizam a vagina, ora tratam ela como algo grosseiro e pecaminoso. A misoginia, inclusive, começa com o estereótipo de que vagina (e quem a possui) é inferior, suja e deve ser reprimida, o que contribui com um panorama de mulheres cerceadas não apenas sexualmente, mas em outras esferas da sociedade, como social e econômica. Afinal, se pensarmos bem, minar a autoestima de uma pessoa implantando na cabeça dela inseguranças sobre o próprio corpo – a expressão máxima da existência de alguém no mundo – é um mecanismo de controle bastante eficaz.

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Ei, garota, nunca se masturbou? Venha aqui – Relato #4

Ilustração por (?)

Ilustração por Mariana Nascimento

Se você é uma garota, não importa a idade, e nunca se masturbou, CARAMBA, não sabe o que está perdendo. Sem implicar juízo de valor. Se você é mina e nunca siriricou não se envergonhe porque infelizmente não está sozinha. 40%  das mulheres brasileiras nunca se masturbaram, segundo dados de 2008 da pesquisa Mosaico Brasil. É mulher pra bicho que nunca teve prazer consigo mesma. Preocupante! Mas não surpreendente! Não em uma sociedade patriarcal com pilares misóginos. Sim, MISÓGINOS. Essa palavra é certeira. Continuar lendo